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abrasivo on the rocks

A RARÍSSIMAS ERA UM PROJECTO LINDÍSSIMO

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É António Cunha Vaz, membro do Conselho Consultivo da Raríssimas que reuniu uma vez há cinco ou seis anos, quem o escreve. E acrescenta: Se houve irregularidades que se julguem. Se calhar também me devia demitir. Mas não tenho de onde.

Segundo a informação oficial – que consta da base de dados do Ministério da Justiça veiculada pelo Informa –, integram o conselho consultivo da associação Leonor Beleza, enquanto presidente, Maria de Belém Roseira, Fernando Ulrich, Isabel Mota, Pedro Pitta Barros, António Cunha Vaz e Roberto Carneiro, como vogais, entre outros, mas, para já, apenas Cunha Vaz assumiu a sua condição.  

A ex-ministra da Ciência Maria da Graça Carvalho negou integrar o conselho consultivo. O mesmo se passa com a ex-ministra da Saúde Maria de Belém Roseira. Maria da Graça Carvalho, garante que «nunca» fez parte do conselho consultivo e que nem sequer sabia que o seu nome constava nos registos oficiais. E Isabel Mota diz que foi convidada em 2014 para ser vogal do conselho consultivo, que aceitou o convite, mas nunca chegou a ser convocada para nenhuma reunião.

A Raríssimas terá sido um projecto lindíssimo, mas agora parece ter sido atacada pela lepra e todos fogem dela. Ninguém quer ser infectado como Manuel Delgado, que já teve de se demitir do Governo.

E quem fala dela, fala com muito cuidado, medindo e pesando as palavras, como se as próprias palavras fossem portadoras do bacilo Mycobacterium leprae. Se Vieira da Silva, por exemplo, afirma que nem eu nem a minha equipa tivemos qualquer informação sobre denúncias de gestão danosa e faz questão de sublinhar actos de gestão danosa (gestão danosa o que será, será?), já Marcelo Rebelo de Sousa, medindo a justa medida de cada sílaba, declara que a Belém não chegou nada de específico, de concreto relativamente ao que se passava em termos de ilegalidade. E, portanto, digamos assim, os dados concretos vieram a ser conhecidos por todos nós quando foram objecto de um programa de televisão.

E se de umas e outras palavras não é legítimo que se possa inferir que um e outro poderiam eventualmente ter conhecimento de algo que as suas exactas palavras não revelam, já é legítimo concluir, dados os factos concretos que vieram a ser conhecidos por todos nós quando foram objecto de um programa de televisão, que a Segurança Social, que Vieira da Silva tutela, distribui milhões pelas IPSS como quem atira ao ar um quilo de farinha numa noite de vendaval, e que Marcelo Rebelo de Sousa distribui abraços e afectos sem se preocupar se esses abraços ou afectos dão credibilidade a quem pretende apropriar-se deles para locupletar-se. Num bom samaritano aceita-se. Num Presidente da República…

Que interessa?…

São rosas, meu amor, são rosas.

publicado às 17:26

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