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abrasivo on the rocks

MUDANÇAS A SÉRIO, NINGUÉM AS QUER

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Nem o PCP, que não está satisfeito com o rumo que leva a geringonça e que, em matéria de legislação laboral, diz que não é suficiente reverter as alterações à lei laboral introduzidas pelo governo PSD/CDS; nem o BE, que diz que é necessário reverter a legislação laboral imposta durante o período da troika, por forma a aumentar salários e combater a precariedade; e muito menos o Governo que, nesta matéria, apenas admitirá mexer no banco de horas e no trabalho nocturno e, quiçá, criar diferentes taxas contributivas consoante a natureza dos contratos de trabalho. Do PSD e do CDS nem vale a pena a falar.

Bem podem falar do combate à precariedade, à prevalência dos contratos a prazo, do alívio das penalizações para os reformados com décadas de descontos para a Segurança Social, da reconstrução dos direitos laborais como via para a valorização dos salários, ou da reposição dos valores das indemnizações para combater o despedimento abusivo; podem falar de tudo, de reposições ou reversões, mas, mudanças a sério, ninguém as quer, porque, na sua essência, todos defendem a sociedade do trabalho em que vivemos, uma sociedade que exclui quem não trabalha e que discrimina em função do trabalho, uma sociedade em que um indivíduo, mesmo quando já conquistou o direito de não trabalhar, ou por questões de saúde ou de idade, continua a ser discriminado em função do valor do trabalho produzido durante a sua vida dita «activa»;  uma sociedade que indemniza quem despede em função dos anos de trabalho e não porque lhe tirou a oportunidade de trabalhar; uma sociedade que privilegia e discrimina consoante os diferentes contratos de trabalho; porque vivemos numa sociedade em que quem não está a trabalhar não está a fazer nada, como não estão a fazer nada o pai ou a mãe que em casa confeccionam a refeição da família, ou a mãe e o pai que em casa ensinam os seus filhos a ler e a escrever, ou aquele(a)s que em casa cuidam dos seus familiares que estão doentes ou são portadores de deficiências físicas ou psíquicas, ou aquela(e)s que costuram as roupas, amassam e cozem o pão, cultivam tudo o que comem, animais ou vegetais, ou aquele(a)s que em casa estudam e procuram adquirir conhecimento; uma sociedade que valoriza e distingue quem trabalha e, por isso, até tem direito a uma reforma: os cozinheiros, os professores, os médicos e enfermeiros, os costureiros, os padeiros, os produtores de carne, os agricultores e os investigadores e todos os demais ditos trabalhadores. A nata contra a escória da sociedade.

publicado às 09:03

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