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abrasivo on the rocks

OS CORNOS DA DEMOCRACIA

Segundo notícia do Observador, que terá tido acesso a um despacho de 11 de Abril dos procuradores Carlos Casimiro e Hugo Neto nos autos do caso EDP, Ricardo Salgado terá pago mensalmente a Manuel Pinho, de 18 de Outubro de 2006 a 20 de de Junho de 2012, o valor de 14 963, 94 euros, perfazendo mais de 1 milhão de euros. Parte desse valor, mais de 508 mil euros, terá sido recebido de Outubro de 2006 a Julho de 2009, período durante o qual Manuel Pinho foi ministro da Economia. Pelos vistos, para os procuradores, que decidiram constituir como arguido Ricardo Salgado, Manuel Pinho terá não só trabalhado para Ricardo Salgado antes e depois de ser ministro mas também durante o período em que exerceu as funções de ministro da Economia, procurando beneficiar o seu generoso empregador. Em causa estarão os contratos que possibilitaram as rendas chorudas da EDP, que até a troika considerou exorbitantes, bem como o prolongamento da concessão da exploração das barragens, que terão beneficiado a EDP em mais de 1,2 mil milhões de euros.

Se a concessão do dito benefício está pendente de prova, as suspeitas dos procuradores baseiam-se nas transferências mensalmente efectuadas para uma sociedade offshore descoberta a Manuel Pinho. Transferências mais cornudas não pode haver. E limpas, limpinhas. Sem corrupção, apenas com fuga ao fisco e passagem pela offshore: a provar-se a acusação, durante cerca de seis anos, o patrão, Ricardo Salgado, ter-se-ia limitado a pagar mensalmente o ordenado do seu empregado, Manuel Pinho, que, durante cerca de três anos, teria exercido as suas funções nas instalações do Ministério da Economia. O equívoco reside apenas no facto de ter-se pensado que se estava perante o ministro da Economia.

O seu afamado gesto assumiria assim outro significado: os cornos não eram dele; eram os cornos da democracia.

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Chegado aqui tenho de confessar que, desde que começaram a chover as acusações de corrupção contra Sócrates – independentemente de quando e como irá acabar o seu julgamento, ele já foi condenado, com ou sem presunção de inocência, na praça pública –, sempre me tenho perguntado: E os outros?

É que, a provar-se a corrupção, como pode tê-lo sido sozinho? Durante seis anos, teremos sido governados por um governo de paus-mandados, cegos, surdos e mudos, que tinham José Sócrates como primeiro-ministro?

Para já, parece que o primeiro-ministro de Manuel Pinho era Ricardo Salgado. Ou, durante pelo menos seis anos, terá sido Ricardo Salgado o primeiro-primeiro-ministro de Portugal?

publicado às 21:18

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