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abrasivo on the rocks

OS CORNOS DA DEMOCRACIA – PÃO E CIRCO

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Depois de um prolongado silêncio, os partidos começaram a reagir à notícia que deu conta dos milhões que Manuel Pinho terá recebido antes, durante e depois de ter sido ministro da economia, uns declarando que o vão chamar ao Parlamento para que possa dar explicações ao país, outros propondo a constituição de uma comissão de inquérito, e outros questionando a correria desenfreada depois de o PSD ter dado o tiro de partida, numa vozearia tonitruante que mais não faz do que desnudar o incómodo causado pela divulgação da notícia e que o penoso silêncio acentuou.

Indiferente à balbúrdia, Pinho declarou que só prestará declarações depois de ouvido pelo Ministério Público e que nem uma comissão de inquérito o fará falar.

Já Ricardo Salgado, o outro arguido e indigitado corruptor, declarou «nunca na vida corrompi ninguém».

E tem razão. Salgado nunca corrompeu ninguém. E nem Sócrates nem Pinho se deixaram em algum momento corromper. Todos, Salgado, Sócrates e Pinho e muitos outros mais, foram e são meros figurantes de um sistema que os remunerou e remunera de acordo com as funções que cada um foi ou é chamado a desempenhar.

Um sistema que, ao contrário do que nos quer fazer crer com um circo mediático e apoteótico de corruptos e corruptores, se perpetua e regenera deixando pelo caminho os resquícios de um anquilosado exoesqueleto num processo de ecdise.

E basta o circo. Nem precisa de distribuir pão. Como a serpente.     

publicado às 16:05

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