Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

abrasivo on the rocks

tudo na mesma como a lesma

lesma.jpg

Hoje tivemos mais uma vez a agradável surpresa de que, em Portugal, nas últimas 24 horas, se registaram apenas mais 14 óbitos por Covid-19.

Parece que o senhor Costa e Silva, o cérebro dos petróleos que o primeiro-ministro Costa escolheu para elaborar os projectos que irão reerguer a nossa economia e impulsionar um crescimento sustentável e resiliente em transição para uma economia ecológica e digital, assente no investimento numa vaga de renovação em larga escala, nas energias renováveis e em soluções de hidrogénio limpo, em transportes não poluentes, na alimentação sustentável e numa economia circular inteligente, como preconiza a Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho Ruropeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões, afinal, não vai ser ministro.

Mas não há razão para alarme se, de repente, rebentar por aí uma nova vaga de calor: o Governo não põe de parte o congelamento das carreiras em 2021.

 

 

 

 

 

publicado às 14:08

dois vezes sete, catorze

morte.jpg

Quantas pessoas morreram ontem em Portugal vítimas do Covid-19?

Catorze, claro. Ou treze. Catorze parece-me bem.

Ou a singularidade portuguesa, em que tudo foi cientificamente programado, e que até o Covid-19 tem medo de contrariar. Porque nós somos os melhores e os mais audazes, como diria Marcelo, e a sorte protege os audazes. 

A chatice é Lisboa, onde, por causa do aumento da procura do Covid-19, as unidades de saúde são confrontadas com a «inviabilidade» de retomarem a sua actividade normal.  

Lisboa, a capital de um país que, além de um presidente de heróis, tem um governo maravilhoso com um primeiro-ministro maravilhoso que nos diz que não haverá austeridade, e que repete que não haverá austeridade, e com uma ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública que admite um cenário de austeridade em que o corte de salários não será a primeira opção.

Não sei em que cenário nos encontramos – drama ou tragédia? –, mas os milhares de trabalhadores que viram e vão continuar a ver o seu salário cortado em um terço, estarão a viver um cenário de comédia?

Maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso (bis)

Advogados pro bono não são novidade.

Os brasileiros também já tiveram o seu presidente Costa e Silva.

Novo, novo é o Costa Silva que diz estar a trabalhar pro bono para o governo português.

Maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso (bis)

 

publicado às 15:02

A GRANDE AMEAÇA DE MÁRIO NOGUEIRA

MARIO NOGUEIRA2.jpg

Se nenhuma das propostas para a contagem de todo o tempo de serviço for aprovada, «a volta a Portugal vai ter escrito nas estradas não é Viva Gamito, é 9A 4M 2D», ameaça Mário Nogueira.

O pelotão já treme, as bicicletas já começaram a tombar, e por todo o corpo de António Costa corre em golfadas um suor frio de sangue.

 

Tudo isto é caricato. Em maré de eleições, quatro partidos decidem aprovar «a contagem de tempo em que se verificou o congelamento e no qual não houve qualquer valorização remuneratória». Aprovam a contagem, mas com cêntimos para a direita e cêntimos para a esquerda não dizem como vão pagar. Mário Nogueira canta vitória. António Costa ameaça demitir-se. Os dois partidos da oposição dão o dito por não dito. Melhor, dizem que aprovam a contagem se o Estado nunca tiver de a pagar. Mas Mário Nogueira não desiste. E insiste: Se pagam, ou não, é-me indiferente. Se não aprovarem a contagem, os professores deixam de dar aulas e vão dedicar-se às pichagens por tudo o que é parede, muro ou estrada deste Portugal. Vai ser uma desgraça, que só vista.

 

Tudo isto é caricato e é irreal. Como é irreal o ponto de partida. Nunca houve congelamento da contagem do tempo. Esse tempo nunca existiu. Foi isso que os governos de Sócrates, em 2005, 2006 e 2010, de Passos Coelho, em Dezembro de 2011, 2012, 2013 e 2014, e de António Costa, em Dezembro de 2015 e 2016, decidiram: «O tempo de serviço prestado [durante a vigência das leis que fizeram aprovar] não é contado para efeitos de promoção e progressão». NÃO É CONTADO. Ninguém congelou o tempo. Em 2005, o Henrique Tenreiro já nem era vivo para o mandar congelar. Estou a falar do peixe, claro.

 

Já repararam que tudo isto começou no já longínquo ano de 2005? O ano em que, por causa de doença, Gamito, agora trazido ao baile pelo grande líder, já tinha arrumado a bicicleta? O tempo não foi congelado. Congelado deve ter sido o Mário Nogueira.

 

Em tempos que já lá vão há muito, o meu camarada Jesus, não tem nada que ver nem com JC nem com JJ, quando a reforma agrária já era menos do que uma miragem, dizia-me que ainda havia de ver a malta do PC, em plena praça dos Restauradores, andar à volta de um vaso de flores e a gritar: «Viva a Reforma Agrária». Desconfio que, algures no ano 3005, ainda hei-de ver Mário Nogueira de pistola em riste, nas estradas que levam até à Torre, a pichar: «Força Agostinho.» O Joaquim. Já esquecido que tudo tinha começado com 9A 4M e 2D.

publicado às 14:06

A HIPOCRISIA DE TRÊS MOSCÃOTEIROS ASSOBERBADOS

moscaoteiros.jpg

May, assoberbada pelo trauma do brexit, Macron, assoberbado por uma onda crescente de contestação social, e Trump, assoberbado pelo maremoto da sua idiotice, decidiram bombardear a Síria para punir Assad pelo uso proibido de armas químicas, um uso «abominável» e que causa um «sofrimento hediondo», para utilizar as palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres, na reunião do Conselho de Segurança, convocada de emergência depois do ataque.

O ataque ocorreu quando se encontrava no terreno uma equipa das Nações Unidas para investigar o uso de armas químicas na Síria. Mas isso é de somenos importância. Porque, a fazer fé nas notícias, nenhum dos seus elementos foi atingido – dizem que do ataque resultaram inúmeros danos materiais, mas apenas três feridos e nenhum morto –, talvez um dia possamos saber se na Síria havia ou foram utilizadas, e por quem, as malditas armas químicas. Uma coisa é certa, tendo em consideração os resultados dos bombardeamentos a locais ditos de produção e armazenamento das ditas, ou não havia nem há armas químicas, ou tinham sido retiradas daqueles locais e não foram atingidas, ou, se lá estavam, eram completamente inofensivas.

Quanto a Assad, pode continuar a dormir descansado desde que não recorra ao uso abominável e hediondo das armas químicas, ou que pressões internas não empurrem os três moscãoteiros para novas missões humanitárias em seara alheia. Assad pode até exterminar todo o seu povo e ficar sozinho a pairar sobre a Síria que ninguém o recriminará. E todos podemos dormir descansados: Eles cuidam de nós se formos atacados por armas… químicas.

Eles, que, como em todas as histórias de moscãoteiros, afinal, não são apenas três. Os outros não figuram na fotografia, apenas por falta de espaço.   

publicado às 09:01

A LEI DO FAROESTE EM MAIS UMA GRANDE PRODUÇÃO VIDEOGRÁFICA

cowboy.jpgEstados Unidos, França e Reino Unido bombardearam a Síria. Por causa das armas químicas, dizem.

Há mais de seis anos que a Síria está a ser devastada por uma guerra em que, o mais difícil, será descortinar quem são os maus, os bons e os vilões. Uma coisa é certa: há todo um povo – mais de 400 mil mortos e de 4,5 milhões de exilados – que sofre em nome de ditadores, de democratas, de terroristas, de libertadores, em nome de Alá e de falsos profetas e de boas e más intenções, em nome da guerra e da paz. De vez em quando, uns autoproclamados defensores da paz armam-se em cowboys justiceiros e disparam uns mísseis para inglês ver. O povo, esse, continua a sofrer.

publicado às 15:03

Mais sobre mim

imagem de perfil