Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

abrasivo on the rocks

AUTOEUROPA, O BALÃO DE ENSAIO

Era um poço de virtudes, dada como exemplo de diálogo e paz social durante 20 anos, mas foi atacada por um vírus, que a CGTP colocou na empresa, segundo António Saraiva, e os seus plenários foram invadidos por agitadores profissionais da esquerda radical, segundo Carlos Silva, o autoproclamado defensor e dirigente dos trabalhadores portugueses. E já há quem tema pela independência de Portugal.

Biltres!

E, no entanto, nada de novo. Apenas mais uma etapa nesse enorme balão de ensaio que dá pelo nome de Autoeuropa e, onde, uma a uma, são testadas as diferentes leis com que se vão agrilhoando os trabalhadores portugueses. Chamem-lhe vírus, chamem-lhe agitadores. O que está em causa na Autoeuropa é o fim do direito ao descanso. Em matéria laboral, será o regresso ao final do século XIX. Provavelmente como exemplo de diálogo e paz social.

publicado às 09:05

CRISTAS AO DESAFIO

cristas.jpg

Como uma galinha doida depois de ter visto o galo vaidoso sair pela porta escancarada do galinheiro, Assunção Cristas não se cansa de bater asas e cacarejar. Desta vez decidiu desafiar o Governo a «chamar à razão» PCP e BE, que diz estarem «por detrás da teia de dificuldade» nas negociações entre trabalhadores e administração da Autoeuropa.

Imagino que o Governo deve chamar o PCP e o BE, deitá-los no colo com o rabinho ao léu virado para a Lua e dar-lhes tautau enquanto alanzoa qualquer coisa do género:

Meus meninos depravados, vamos lá acabar com esta brincadeira, deixem-se dessa luta político-partidária que arrastou a Autoeuropa para uma situação inédita. Então os meninos não sabem que os países disputam e procuram ter as melhores condições competitivas para atrair investimento? Que é muito importante para o nosso país não perdermos a Autoeuropa, que é um grande exportador, e, sobretudo, não deixar uma marca negativa de que aqui não é possível trabalhadores e administrações de empresas chegarem a acordo? Não ouvem o que diz o nosso afectuoso professor Marcelo? Que é necessário que a Autoeuropa continue a ser um exemplo não apenas de excelência e qualidade, mas também de convivência social? E que isso é não só importante para os trabalhadores da Autoeuropa mas é igualmente importante para os trabalhadores que trabalham em empresas ligadas à Autoeuropa e é importante no fundo para o clima de paz social, estabilidade e crescimento económico que se tem vivido em Portugal nestes últimos dois anos? Ora, meus meninos, portem-se bem, deixem de fazer cocó fora do penico, mantenham esta geringonça a funcionar e digam aos vossos rapazes que têm de chegar a acordo com a administração da Autoeuropa, quer ela queira, quer não.

É evidente que, para Assunção Cristas, os trabalhadores são uma cambada de carneiros que se limitam a acatar pacificamente as ordens de um qualquer pastor ou cacique que se lhes apresentem pela frente. E nem o facto de os trabalhadores já terem recusado dois pré-acordos celebrados entre a administração e a comissão de trabalhadores que elegeram (duas comissões diferentes: a última foi eleita depois da rejeição do primeiro acordo) parece ser suficiente para iluminar aquele cérebro de galinha.

De facto, os trabalhadores não são carneiros, não se limitam a seguir comissões de trabalhadores, e não querem saber de hipotéticas guerras de alecrim e manjerona entre PCP e BE quando uma administração decide pôr em causa os seus direitos, sobretudo um dos seus direitos fundamentais, direi mesmo, o direito fundamental do homem, o direito ao descanso, o direito de que só o próprio pode decidir privar-se, o direito que distingue o homem dos carneiros e de todos os outros animais, galinhas incluídas, o direito que torna o homem igual a Deus, a grande criação do homem, e que ao sétimo dia descansou para apreciar e gozar plenamente toda a obra da Sua criação.

publicado às 09:08

Mais sobre mim

imagem de perfil