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abrasivo on the rocks

DA ENFORMAÇÃO DA INFORMAÇÃO

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O ponto de partida é o mesmo: Destaque – Estimativas Mensais de Emprego e Desemprego – Maio de 2018.

Segundo o INE, «a taxa de desemprego de Abril situou-se em 7,2%». o DN aproveita para noticiar que a «taxa de desemprego desce para 7,2% em Abril, mínimo desde Novembro de 2002». Já o Expresso, ignorando a taxa de Abril, prefere chamar para o título a estimativa de Maio, e diz que a «taxa de desemprego sobe para 7,3% em Maio».

As estimativas mensais divulgadas pelo INE não passam de meras estimativas estatísticas, sucessivamente revistas ou confirmadas – a estimativa para Abril revelada há um mês, por exemplo, foi agora revista em baixa – e que apenas deviam ser lidas e encaradas como tais. Infelizmente, não passam de um pretexto para os media, envergando a sua T-shirt independentista, revelarem a verdadeira cor da sua camisola.

 

publicado às 13:42

CARGA FISCAL SUBIU PARA MAIS DE 34% NO ANO PASSADO

Diz o Expresso, num título que é bem elucidativo do poder que controla e condiciona os media em Portugal, de um jornalismo ditado por interesses económicos, partidários e pessoais que nada têm que ver com rigor e liberdade de informação. Um título tendencioso, insinuante e manipulador travestido de informação.

Segundo os dados hoje divulgados pelo INE, relativos ao ano de 2017, a carga fiscal aumentou para 34,7% do PIB, um valor que não me proponho comentar. Eventualmente por falta de espaço, a autora esqueceu-se do PIB e decidiu falar em mais de 34%. Um esquecimento inocente, ou a insinuação subliminal de que a carga fiscal, no ano passado, poderá ter aumentado mais de 34%?

Ainda segundo o INE, a carga fiscal, em 2017, aumentou de 34,3% (dados de 2016) para 34,7% do PIB. A partir destes dados, como pode alguém, numa informação séria e isenta, chegar ao título do Expresso?

Não sei se a autora da notícia tem algum fetiche pelo número 34, ou se está convencida de que 34 é a barreira a partir da qual se libertarão os fantasmas que poderão condicionar um eleitor menos precavido na hora da votação. Mas que forças ocultas a terão levado a escolher este título, um título que mascara e adultera a verdade?

Porque o que é verdade – mesmo admitindo que 34 seria a barreira que governo algum deveria ultrapassar – é que não foi o ano passado que a carga fiscal subiu para mais de 34%, o que é verdade é que, segundo os dados do INE, que a autora da notícia conhece, foi em 2013 — o ano do maior aumento da carga fiscal em percentagem do PIB nos últimos 22 anos, o segundo maior foi em 2011 – que a carga fiscal subiu para mais de 34% do PIB.

Porque não se limitou a autora a dizer a verdade: «Carga fiscal subiu de 34,3% para 34,7% do PIB no ano passado»? 

Para que conste aqui se divulga o gráfico que acompanha o destaque do INE.

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Sem comentários, apesar de reconhecer o aumento da carga. 

publicado às 15:13

NUNCA HOUVE TANTOS A GANHAR TRÊS MIL EUROS LIMPOS OU MAIS

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Titula o DN. O Expresso, replicando a notícia, fala apenas de euros. Para este jornal não é importante se foram lavados, ou não. O que é importante é que nunca houve tantos. E estes tantos, a fazer fé nos dois títulos, serão por certo muitos mais do que as gotas da água do mar. E, pasme-se, ganham todos mais do que três mil euros por mês e trabalham por conta de outrem em Portugal.

Estão surpreendidos, estarrecidos e siderados como eu?!

Tomem lá mais esta: «O número de trabalhadores por conta de outrem que ganham três mil euros ou mais líquidos por mês disparou 30% no primeiro trimestre deste ano face a igual período de 2017.»

Um gajo até fica abananado com tal disparo. «Embananado e mórbido», parafraseando uma certa pessoa que eu cá sei.

Toma que já almoçaste, meu pindérico de meia tigela, refiro-me a ti, que tens de viver com menos de 310 euros por mês.

Se por acaso fazes parte deste grupo de pindéricos e me estás a ler, não fiques triste, a notícia não o diz – até ignora que existes, quem te manda a ti trabalhar para receberes tão pouco? –, mas não estás sozinho, fazes parte de uma pequena e ignorada minoria – 119 mil, segundo os números do INE –, uma pequeníssima minoria, como se vê, quando comparada com essa enorme maioria de 37,5 mil que ganham três mil euros limpos ou mais por mês. Porque tu não interessas, não passas de um zé-ninguém entre muitos outros zés-ninguém que apenas existem para que, apesar de nunca tantos ganharem tanto, o rendimento médio mensal líquido dos portugueses não passe de uns míseros – sei que para ti estes míseros são uma ofensa e até podem soar a provocação – 876 euros.
Mas tens razão se por acaso te sentiste ofendido, é que 876 euros não são miséria nenhuma, segundo o DN, deve ser mesmo uma coisa do outro mundo, imagina tu que sofreu «o maior aumento em sete anos». Isto, depreendo eu, porque, como diz o jornal, «os salários mais baixos (menos de 600 euros) estão a perder peso». Por mim não acho mal. Sempre ouvi dizer que a obesidade não faz bem a ninguém.

Pena é que, apesar de tanta dieta – ou exercício físico, eu para emagrecer vou correr todos os dias para o parque da Bela Vista – ainda haja 907,6 mil trabalhadores por conta de outrem – uma insignificância, claro, se os compararmos com 37,5 mil – que têm um rendimento mensal líquido superior a 310, mas inferior a 600 euros. Os tais que estão a perder peso, mas que a notícia achou por bem não quantificar. Como não disse que 1311,9 mil dos trabalhadores por conta de outrem têm um rendimento superior a 600, mas inferior a 900 euros. Para quê falar de misérias quando nunca houve tantos a ganhar três mil euros limpos ou mais?

Minudências, já se vê. Picuinhices de um picuinhas que não tem mais nada que fazer.

Misérias? Quem é que quer saber de misérias?

Que interessa saber que, dos trabalhadores por conta de outrem, 3% têm um rendimento mensal líquido inferior a 310 euros, 22,6% têm um rendimento de mais de 310 e menos de 600 euros, 32,7%, mais de 600 e menos de 900 euros, 12,4%, mais de 900 e menos de 1200 euros, 12,4% mais de 1200 e menos de 1800 euros, 3,5%, mais de 1800 e menos de 2500 euros, 0,6%, mais de 2500 e menos de 3000, num inquérito em que 11,2% responderam que não sabiam ou não quiseram responder, quando 0,9% (uma infinita e enorme enormidade, sublinhe-se) dos trabalhadores portugueses por conta de outrem têm um rendimento mensal líquido igual ou superior a 3000 euros?

Que interessa falar de misérias numa economia pujante, em crescimento acelerado, com emprego galopante, défices em permanente emagrecimento, números que disparam em todas as direcções, uma economia em que nunca houve tantos a ganhar tanto e em que se somam os sinais de que as condições do mercado de trabalho estão a melhorar?

Ah, carago! Para ave de mau agouro já basta a Teodora. Um destes dias ainda vamos descobrir que as estatísticas estão todas erradas e que estes nunca houve tantos até eram muito poucos. Os 450,2 mil trabalhadores por conta de outrem, que no inquérito responderam que não sabiam ou não quiseram responder, fizeram-no por vergonha. Não queriam que se soubesse que tinham um rendimento líquido mensal superior a 5000 euros. São capazes de recalcular o rendimento médio? 

Suspiro e um beijo, também serve um pedaço de queijo, ou um ovo da última postura. 

publicado às 09:18

ISTO É QUE VAI UMA CRISE!

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Uma sandes de queijo sem manteiga, noticia o Expresso, numa clara manifestação de «independência face aos poderes políticos e conómicos».

Não deu para mais depois de ter pago o bilhete! Presidente sofre. Se a tempestade fosse perfeita e não «quase perfeita» talvez desse para uma sandes de tubarão, ou de ovas de esturjão-beluga, que é como quem diz de caviar.

publicado às 18:08

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